"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco." Edmund Burke

25.1.06

habitação

A indústria da construção tem sido, nos países desenvolvidos e especialmente nos países em vias de desenvolvimento, um dos principais motores da economia. Assim sendo e uma vez que é essencialmente o processo económico que move as sociedades actuais, a industria da construção continua a crescer e com ela enormes consumos de energia, matérias-primas e poluentes diversos. Obviamente que parte desta construção é necessária, importante para o bem-estar de muitas pessoas; outra parte, por outro lado, é apenas fruto da especulação dos agentes económicos, conduzindo a cargas ambientais desnecessárias. Com este cenário em perspectiva há que encarar a construção e em particular a habitação com um espírito crítico e de contenção, uma vez que grandes impactes ambientais estão por trás do edificado urbano, onde quer que se situe.


- Evitar a compra de casas novas. Na generalidade dos países desenvolvidos já existem casas em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades das populações. A recuperação e/ou manutenção de casas consome apenas uma pequena parcela da energia e recursos consumidos pela construção de casas novas, actividade energívora (electricidade e combustíveis) e que consome geralmente grande quantidade de materiais não renováveis (pedra, cimento, ferro, argila, areias, plásticos, etc.). Para além disto está à vista de todos o caos aberrante em que se tornou a maior parte dos arredores das cidades actuais, pelo que a ocupação do espaço urbano é também uma questão pertinente.


- Em habitações usadas ou novas, certificar-se da boa condição das paredes, se têm uma boa espessura e isolamentos necessários. O consumo energético total de uma casa realiza-se essencialmente em aquecimento e arrefecimento durante a sua utilização pelo que a envolvente da mesma deve assegurar uma barreira eficaz contra o frio e o calor.


- As portas (que incluam vidros) e janelas devem ser de vidros duplos (ou mesmo triplos, em certos climas mais extremos) com boas caixilharias (de tecnologia recente, de preferência em alumínio, pois é mais facilmente reciclável que o PVC). Deste modo reduz-se substancialmente os pontos da casa propícios à troca de calor mantendo uma boa área de envidraçados.


- Os envidraçados devem preferencialmente estar orientados para captar o mais possível a energia solar, principalmente no Inverno (no caso de Portugal, faces viradas a Sul e a Oeste). Estores interiores e exteriores devem de preferência existir, os primeiros para controle de luminosidade interior e os segundos para servir de tapamento ao sol no Verão.


- As torneiras devem ser, de preferência, de tecnologia recente, equipadas com sistemas de poupança de água. Nas casas antigas cujas torneiras não estejam equipadas com estes aparelhos, existem à venda no mercado sistemas de fácil instalação por quantias módicas.


- Certificar-se da boa condição das coberturas e outros pontos susceptíveis de haver infiltrações de água. Grande parte das patologias encontradas em casas (moradias ou edifícios) está relacionada com a falta de estanquidade, sendo portanto a razão principal para os custos e carga ambiental relativa às actividades de manutenção/recuperação.


- Em zonas muito frias o aquecimento central é uma boa opção uma vez que as caldeiras actuais têm um excelente rendimento. Se a casa estiver bem isolada o calor fornecido é mantido durante mais tempo e, com baixo consumo de combustível (gás, gasóleo, etc.), é possível manter um bom nível de conforto. Em zonas mais amenas (a generalidade do território português) o aquecimento localizado é melhor (o aquecimento central só é eficaz de estiver ligado durante períodos relativamente longos) uma vez que os períodos mais frios são relativamente mais raros. Evitar, no entanto, aquecimentos com resistência eléctrica ou ar condicionado (dar preferência a aquecedores a gás).


- A ventilação, no caso de casas bem isoladas, poderá constituir um problema, uma vez que não há trocas de ar pelas típicas frinchas. Este problema resolve-se facilmente abrindo as janelas durante pequenos períodos de tempo (15 a 30 min.) de modo a facilitar a circulação de ar, de preferência durante a altura mais quente (no Inverno) ou fria (no Verão) do dia. Caso seja necessário (em climas mais agrestes) e possível, instalar em casa um ventilador com recuperador de calor.


- Evitar o uso de revestimentos plásticos, cerâmicos ou de pedra (claro que em certos locais da casa serão indispensáveis, mas não o serão em todos). Se é verdade que estes materiais constituem os revestimentos na grande maioria das aplicações também o é o facto de que todos eles consomem grandes quantidades de materiais virgens (petróleo, argilas e pedra natural) e energia para serem produzidos (fornos, serras de corte, transportes, etc.). A madeira, se proveniente de florestas bem geridas, é um material renovável (pode ser replantado), fácil de trabalhar, aplicar, termicamente eficaz e esteticamente confortável. A madeira tem longa tradição na indústria da construção mas a crescente escassez e gestão ruinosa de florestas (em Portugal e não só) possibilitou a entrada no mercado de outros materiais que à partida têm pior desempenho ambiental.