"Ninguém cometeu maior erro do que aquele que não fez nada só porque podia fazer muito pouco." Edmund Burke

31.1.06

no local de trabalho

Os locais de trabalho, sejam estes o escritório, a loja ou a sala de aula, são espaços em que as pessoas passam grande parte do seu tempo, pelo que constituem uma fonte importante de consumo energético – aquecimento, arrefecimento, ventilação, iluminação, equipamentos eléctricos, etc.. É possível, mantendo níveis razoáveis de conforto, reduzir uma boa parte dos actuais consumos de electricidade, gás, papel, tinteiros, etc., compatível ainda com um ritmo de trabalho normal.

- No escritório, gerir com contenção e consciência os trabalhos de impressão ou fotocópia. Reduzir ao mínimo a quantidade de folhas impressas (muitas vezes imprime-se ou fotocopia-se desnecessariamente). Quando de facto existe a necessidade de imprimir, fazê-lo de ambos os lados das folhas ou em folhas já impressas num dos lados.

- Ligar as impressoras e/ou fotocopiadoras quando efectivamente for necessário. Não faz sentido do ponto de vista energético manter um aparelho ligado se não estiver a ser usado (entenda-se por períodos longos – superiores a cerca de 45 min.).

- Potenciar ao máximo o uso de luz solar durante o dia (com a ajuda de persianas, cortinados ou de posicionamento das mesas e cadeiras é possível evitar os reflexos em ecrãs de computador sem precisar de acender a luz eléctrica) e ter esquemas de ligação que permitam desligar parte das lâmpadas à noite, caso alguém fique a trabalhar até tarde.

- Desligar (modo OFF) a maior quantidade possível de equipamentos eléctricos (computadores, impressoras, luzes, fotocopiadoras, etc.) durante o tempo do almoço.

- Sempre que possível potenciar a ventilação natural, através da abertura de janelas (a menos que o edifício esteja especialmente preparado para a ventilação natural) em locais estratégicos para provocar correntes de ar, possibilitando a reciclagem do ar e arrefecimento dos espaços nos dias de calor. Esta medida evita o uso excessivo de ventilação forçada (equipamentos electromecânicos) e/ou de ar condicionado.

- Tal como na habitação, o aquecimento do espaço de trabalho só é realmente eficaz se o espaço estiver devidamente isolado e as portas e janelas (para o exterior) forem de boa qualidade (vidros duplos, caixilharias modernas, vedantes, etc.). Evitar aquecimentos com resistência eléctrica.

30.1.06

nas compras

As nossas escolhas como consumidores, são cruciais para a mudança de um sistema económico actualmente ainda assente no excesso e no desperdício. O consumidor final tem um poder efectivo, numa sociedade liberalizada, que assenta no direito de escolha. Exercer esse direito atendendo às questões básicas de poupança de energia e recursos naturais é o princípio do fim dos problemas ecológicos que enfrentamos.

- Preferir sempre produtos alimentares de produção biológica. Os produtos da produção industrializada actual usam grandes quantidades de adubos químicos e produtos de pulverização extremamente tóxicos que contaminam o ar, a água e os solos. A produção biológica faz uso das técnicas de cultivo tradicionais aliadas aos conhecimentos modernos da biologia e química dos organismos, evitando produtos tóxicos e estimulando o uso diversificado do solo. Os produtos biológicos são em regra mais caros que os restantes, o que se deve essencialmente à pouca procura, o que não possibilita o uso de métodos mais massivos de produção (sem no entanto recorrer a químicos tóxicos). O investimento inicial em produtos biológicos trará com certeza abaixamentos de preço num futuro imediato.

- Na compra de peixe atender ao facto de que muitas espécies de peixe estão em extinção. Os mais requisitados, os tradicionais bacalhau, atum, pescada, sardinha, estão, obviamente, ameaçados. O ritmo pesqueiro nos últimos anos a nível mundial tem sido absolutamente desenfreado, delapidando a maior parte das reservas mundiais. Optar por peixes menos comuns ou, em último caso, de produção em viveiro (também esta é uma escolha medíocre porque as condições de viveiro são impróprias para os peixes). Evitar ao máximo a compra de peixe com ovas (prejudica a geração seguinte de peixes, provocando, quando em excesso, o abaixamento acentuado das populações dos cardumes).

- Também na compra de carne deve ser tido em conta que os processos industrializados são penalizantes ambos para os animais (espaços exíguos, rações, confinamento, uso de largas doses de medicamentos) e para o ambiente (iluminação eléctrica, resíduos dos matadouros, etc.). A carne de origem biológica, tal como para os vegetais biológicos, é mais cara, devendo num futuro próximo baixar se a sua procura aumentar.

- Preferir sempre produtos, alimentares ou não, produzidos na região. Além de ser um incentivo económico para o próprio país/região é uma importante medida ambiental, uma vez que reduz dramaticamente a distância de transporte necessária para trazer o produto ao consumidor, com os consequentes cortes nas emissões de CO2, entre outros poluentes.

27.1.06

ser amigo do ambiente e poupar dinheiro

A obrigação de instalar painéis solares nos edifícios destinados a habitação, decidida ontem pelo Governo na habitual reunião de Conselho de Ministros (ver texto em baixo), vai permitir poupar mais de metade da factura de gás ou de electricidade das famílias.

A garantia é dada por Manuel Collares Pereira, investigador do Instituto Nacional de Engenharia e Tecnologia Industrial (INETI), que há cerca de três décadas se dedica ao estudo das energias renováveis.

As contas são simples. A energia solar, numa aplicação básica, serve essencialmente para aquecimento de águas. Este factor corresponde a cerca de 70% do consumo de gás numa habitação. Levando em linha de conta que a energia solar térmica é 80% mais barata que a electricidade ou o gás, a poupança ronda os 56%.

Mas as contas, para serem certas, têm de ter ainda em linha de conta a instalação do equipamento. "Hoje em dia, para uma família de três ou quatro pessoas, um painel solar custa à volta dos 1900 a 2000 euros", explica Collares Pereira. O investimento corresponde ao aquecimento de uma caldeira de cerca de 200/250 litros, considerada suficiente para um agregado do tamanho referido. E isto numa habitação unifamiliar, já que se se tratar de um edifício de condomínio a factura para cada habitação poderá baixar para 1500 euros, devido à economia de escala. Já uma família de 6 a 7 pessoas necessita de uma caldeira de 300 litros, cujo investimento, em termos solares, rondará os 2500 a 3000 euros. De realçar ainda que actualmente os kits solares já vêm equipados com resistências eléctricas para apoiar dias sem sol.

A amortização do investimento também está estudada. "Se estiver a substituir gás butano [de garrafa] por energia solar, o investimento está pago em 5 ou 6 anos", estima Collares Pereira. Como actualmente as melhores marcas garantem uma utilização do equipamento, sem necessidade de qualquer intervenção, de cerca de 15 anos, "estamos a falar de cerca de dez anos de energia “à borla”, explica o especialista. Se a substituição em causa for sobre electricidade ou gás natural, Manuel Collares Pereira acrescenta um ano à amortização, ou seja, entre seis a sete. Refira-se ainda que a energia solar térmica está actualmente taxada a 12% de IVA (IVA reduzido), sendo o investimento inicial passível de abatimento à colecta de IRS, até um máximo de 700 euros ou 30% dos gastos totais.

Actualmente, a energia solar térmica - a que é vulgarmente instalada em edifícios de habitação e serviços - só está preparada para colmatar as necessidades de aquecimento de águas e ambiente, mas Collares Pereira admite que, dentro de pouco tempo, se possa falar em fazer frio... através do Sol. "No INETI estamos a preparar uma tecnologia que permite substituir o compressor de electricidade que é utilizado nos frigoríficos, e estimamos que dentro de um ou dois anos isso esteja disponível", sustenta o mesmo investigador. A tecnologia já existe mas apenas aplicada a grandes infraestruturas. O desafio é pô-la ao serviço do cliente doméstico.

Outra questão é saber como é que o sector da construção vai adaptar-se à nova legislação. Recorde-se que a energia solar térmica voltou a ocupar a actualidade devido à indicação governamental de que, em breve, deverá estar pronta legislação que obrigue a que todos os edifícios novos ou requalificados tenham apoio desse género de equipamentos (ver texto nesta página). Para Manuel Collares Pereira há duas maneiras de resolver o problema. "Ou os construtores deixam os edifícios prontos para instalação de painéis ou são eles próprios que contratam com empresas do sector", sendo que a compra directa ao fabricante poderá trazer economias relevantes. No que diz respeito ao preço final para o comprador de uma fracção (apartamento), o incremento de preço é desprezível. Estamos a falar de 2000 euros, no máximo, num apartamento que pode rondar os 150 mil a 200 mil euros.

25.1.06

habitação

A indústria da construção tem sido, nos países desenvolvidos e especialmente nos países em vias de desenvolvimento, um dos principais motores da economia. Assim sendo e uma vez que é essencialmente o processo económico que move as sociedades actuais, a industria da construção continua a crescer e com ela enormes consumos de energia, matérias-primas e poluentes diversos. Obviamente que parte desta construção é necessária, importante para o bem-estar de muitas pessoas; outra parte, por outro lado, é apenas fruto da especulação dos agentes económicos, conduzindo a cargas ambientais desnecessárias. Com este cenário em perspectiva há que encarar a construção e em particular a habitação com um espírito crítico e de contenção, uma vez que grandes impactes ambientais estão por trás do edificado urbano, onde quer que se situe.


- Evitar a compra de casas novas. Na generalidade dos países desenvolvidos já existem casas em quantidade suficiente para satisfazer as necessidades das populações. A recuperação e/ou manutenção de casas consome apenas uma pequena parcela da energia e recursos consumidos pela construção de casas novas, actividade energívora (electricidade e combustíveis) e que consome geralmente grande quantidade de materiais não renováveis (pedra, cimento, ferro, argila, areias, plásticos, etc.). Para além disto está à vista de todos o caos aberrante em que se tornou a maior parte dos arredores das cidades actuais, pelo que a ocupação do espaço urbano é também uma questão pertinente.


- Em habitações usadas ou novas, certificar-se da boa condição das paredes, se têm uma boa espessura e isolamentos necessários. O consumo energético total de uma casa realiza-se essencialmente em aquecimento e arrefecimento durante a sua utilização pelo que a envolvente da mesma deve assegurar uma barreira eficaz contra o frio e o calor.


- As portas (que incluam vidros) e janelas devem ser de vidros duplos (ou mesmo triplos, em certos climas mais extremos) com boas caixilharias (de tecnologia recente, de preferência em alumínio, pois é mais facilmente reciclável que o PVC). Deste modo reduz-se substancialmente os pontos da casa propícios à troca de calor mantendo uma boa área de envidraçados.


- Os envidraçados devem preferencialmente estar orientados para captar o mais possível a energia solar, principalmente no Inverno (no caso de Portugal, faces viradas a Sul e a Oeste). Estores interiores e exteriores devem de preferência existir, os primeiros para controle de luminosidade interior e os segundos para servir de tapamento ao sol no Verão.


- As torneiras devem ser, de preferência, de tecnologia recente, equipadas com sistemas de poupança de água. Nas casas antigas cujas torneiras não estejam equipadas com estes aparelhos, existem à venda no mercado sistemas de fácil instalação por quantias módicas.


- Certificar-se da boa condição das coberturas e outros pontos susceptíveis de haver infiltrações de água. Grande parte das patologias encontradas em casas (moradias ou edifícios) está relacionada com a falta de estanquidade, sendo portanto a razão principal para os custos e carga ambiental relativa às actividades de manutenção/recuperação.


- Em zonas muito frias o aquecimento central é uma boa opção uma vez que as caldeiras actuais têm um excelente rendimento. Se a casa estiver bem isolada o calor fornecido é mantido durante mais tempo e, com baixo consumo de combustível (gás, gasóleo, etc.), é possível manter um bom nível de conforto. Em zonas mais amenas (a generalidade do território português) o aquecimento localizado é melhor (o aquecimento central só é eficaz de estiver ligado durante períodos relativamente longos) uma vez que os períodos mais frios são relativamente mais raros. Evitar, no entanto, aquecimentos com resistência eléctrica ou ar condicionado (dar preferência a aquecedores a gás).


- A ventilação, no caso de casas bem isoladas, poderá constituir um problema, uma vez que não há trocas de ar pelas típicas frinchas. Este problema resolve-se facilmente abrindo as janelas durante pequenos períodos de tempo (15 a 30 min.) de modo a facilitar a circulação de ar, de preferência durante a altura mais quente (no Inverno) ou fria (no Verão) do dia. Caso seja necessário (em climas mais agrestes) e possível, instalar em casa um ventilador com recuperador de calor.


- Evitar o uso de revestimentos plásticos, cerâmicos ou de pedra (claro que em certos locais da casa serão indispensáveis, mas não o serão em todos). Se é verdade que estes materiais constituem os revestimentos na grande maioria das aplicações também o é o facto de que todos eles consomem grandes quantidades de materiais virgens (petróleo, argilas e pedra natural) e energia para serem produzidos (fornos, serras de corte, transportes, etc.). A madeira, se proveniente de florestas bem geridas, é um material renovável (pode ser replantado), fácil de trabalhar, aplicar, termicamente eficaz e esteticamente confortável. A madeira tem longa tradição na indústria da construção mas a crescente escassez e gestão ruinosa de florestas (em Portugal e não só) possibilitou a entrada no mercado de outros materiais que à partida têm pior desempenho ambiental.

21.1.06

transportes

Actualmente o sector dos transportes, em especial o automóvel e o avião, é responsável por uma importante fatia das emissões de gases geradores de efeito de estufa (a par do sector da produção energética). As grandes cidades são responsáveis não só pela sua própria falta de qualidade do ar bem como uma forte contribuição para o aquecimento global. Algumas medidas parecerão óbvias mas convém listá-las exaustivamente, para abrir o leque de escolhas e possibilidades de redução.


- Usar o automóvel apenas quando estritamente necessário. Os transportes públicos estão em acelerado processo de modernização na generalidade das grandes cidades e cada vez chegam a mais locais, servindo maiores comunidades. Os transportes públicos têm ainda outras vantagens, entre as quais maior rapidez (devido à enorme quantidade de automóveis, a tendência actual é perder-se mais tempo no trânsito que em viagens de autocarro, metro ou comboio) e conforto (ter motorista e sempre lugar para estacionar).


- Evitar, sempre que possível, viajar de avião. Os aviões são, por pessoa transportada, o meio de transporte mais poluente que existe. Além disso são fonte de ruído e utilizam grandes áreas para estacionar/descolar/aterrar.


- Usar, dentro das possibilidades, o transporte por bicicleta ou mesmo a pé. Além de ser saudável é ambientalmente limpo e silencioso.


- Na possível compra de um automóvel, dar preferência a viaturas usadas mas de anos recentes – desde 1990. Comprar viaturas novas estimula o fabrico e consequente desperdício de outras viaturas ainda em estado de utilização mas por outro lado circular com automóveis muito antigos (15-30 anos) é uma opção mais poluente (emissões de CO2) e consumidora de recursos (petróleo), uma vez estes não estão equipados com tecnologias como o catalisador e motores de elevada eficácia.


- A tecnologia tornou recentemente disponível o automóvel híbrido. Caso haja orçamento suficiente (devido à ainda pequena procura os preços são um pouco acima da média, com tendência, no entanto, a baixar), esta é uma alternativa ao automóvel somente a gasolina. O híbrido combina um motor a gasolina com uma avançada bateria eléctrica, podendo reduzir as emissões directas de CO2 até 90%.

19.1.06

ecoaldeias?!

18.1.06

para um futuro livre de problemas ambientais

LIXOS

O aspecto degradante das lixeiras que todos conhecemos não é uma boa imagem ao qual gostamos de nos associar. No entanto o lixo que produzimos continua todos os anos a aumentar. O consumo desenfreado e falta de sistemas eficazes de separação, tratamento e reciclagem, aliada a uma baixa percentagem de lixos levados a reciclar faz com que, muito embora a maior parte das lixeiras a céu aberto tenham sido encerradas, os custos com o tratamento do lixo não parem de aumentar e continuem a haver problemas ambientais associados à produção de lixo.


- Nunca deitar óleos ou outras gorduras nas canalizações. Além de gerar entupimentos estas substâncias não se diluem na água e são de difícil tratamento na central, pelo que são poluentes de grande persistência. Reunir os óleos e azeites usados (das frituras, latas de atum, etc.) em garrafas de plástico, fechá-las bem e colocá-las no lixo orgânico. Estas serão posteriormente recolhidas e encaminhadas para estações especiais de tratamento.


- Os óleos usados de viaturas (automóveis, cortadores de relva, motoserras, empilhadoras, etc.) são também extremamente poluentes se lançados directamente na água ou no solo (a sua queima também é altamente tóxica). A atitude mais correcta quando da mudança de óleo será entregá-lo a um colector autorizado (normalmente a própria oficina onde se realizou a mudança de óleo, mas convém perguntar primeiro se possuem licença específica passada pela Direcção Geral de Energia). Actualmente os óleos usados são recicláveis, evitando impactes muito sérios e poupando em cerca de 98% o recurso ao petróleo bruto (para produzir os óleos em causa).


- Levar sacos de plástico usados para as compras. A quantidade de sacos de plástico distribuídos diariamente nas lojas, supermercados e hipermercados é monumental. O plástico não é um material biodegradável, consome recursos não-renováveis (petróleo) e é potencialmente tóxico na queima. Por outro lado os sacos de plásticos são duráveis e podem ser reutilizados quase infinitamente.


- Preferir sempre embalagens de papel e de vidro às de plástico. O papel e o vidro são materiais mais facilmente recicláveis que o plástico, consumindo nesse processo menos energia.


- Reutilizar, sempre que possível, as embalagens. Milhões de embalagens são diariamente consideradas lixo quando ainda poderão servir outras utilidades. Sentido prático e capacidade inventiva ajudarão a encontrar bons usos para embalagens vazias.


- Não deitar medicamentos fora de prazo no lixo (ou, no caso de líquidos, pela canalização). Muitos medicamentos contém substâncias de grande potencial poluente. Levar os medicamentos nestas condições para a farmácia mais próxima, encarregando-se esta de eliminar devidamente os mesmos.


- Respeitar escrupulosamente os tipos de materiais e objectos descritos nos eco-pontos. Os processos de reciclagem estão montados de certa forma e, a título de exemplo, nem todos os plásticos são actualmente reciclados. Colocar produtos erradamente no recipiente conduzirá ao trabalho extra na separação desses produtos, acrescendo o custo do processo e diminuindo a eficácia do mesmo.


- Não usar detergentes com elevada percentagem em fosfatos (provocam o crescimento anormal de algas, cuja decomposição pode matar quase toda a vida existente num rio ou lago). A percentagem máxima de fosfatos regulamentada na CEE é de 0.5%. Certificar que o detergente em causa cumpre o regulamento. Os detergente líquidos normalmente não contém fosfatos.


- Moderar o uso do papel de cozinha. Muito embora, actualmente, a maior parte dos rolos sejam produzidos com papel reciclado, a geração de lixo reduz-se substancialmente se usar panos. Além disto o papel é branqueado usando produtos tóxicos (dioxinas) altamente persistentes.


- Evitar, sempre que possível, o uso de objectos descartáveis como lenços, fraldas, lâminas de barbear, copos de plástico, etc.

17.1.06

petição por um rio livre


"O rio Sabor é considerado o último rio selvagem de Portugal devido à ausência de barragens ao longo dos mais de 120 km do seu percurso através de Trás-os-Montes, ao isolamento do seu vale e à grande diversidade de habitats naturais e espécies que aí ocorrem. Contudo, paira sobre este santuário natural o peso da possível decisão de construção de uma grande barragem no seu troço inferior, que submergirá cerca de 50% da extensão nacional do rio. (...)"
A Plataforma Sabor Livre

16.1.06

o pesadelo de Darwin


Hubert Sauper, o realizador:

'In DARWIN’S NIGHTMARE I tried to transform the bizarre success story of a fish and the ephemeral boom around this "fittest" animal into an ironic, frightening allegory for what is called the New World Order. I could make the same kind of movie in Sierra Leone, only the fish would be diamonds, in Honduras, bananas, and in Libya, Nigeria or Angola, crude oil. Most of us I guess, know about the destructive mechanisms of our time, but we cannot fully picture them. We are unable to "get it", unable to actually believe what we know.

It is, for example, incredible that wherever prime raw material is discovered, the locals die in misery, their sons become soldiers, and their daughters are turned into servants and whores. Hearing and seeing the same stories over and over makes me feel sick. After hundreds of years of slavery and colonisation of Africa, globalisation of african markets is the third and deadliest humiliation for the people of this continent. The arrogance of rich countries towards the third world (that's three quarters of humanity) is creating immeasurable future dangers for all peoples.'

15.1.06

para uma vida sustentável...

ÁGUA

A questão da falta de água e falta de qualidade da água avizinham-se neste século como problemas de cada vez maiores dimensões. Para além de que o elevado consumo de água também leva a maiores consumos de electricidade e de recursos – os sistemas modernos de captação de água envolvem monumentais estruturas e condutas que consumiram enormes quantidades de energia e materiais para serem construídas –, a água em si perde qualidade depois de utilizada, o que conduz a mais consumos de energia, tempo e materiais para o tratamento da mesma. Além disto, muitas das barragens construídas têm impactos ambientais graves como a acumulação de sedimentos, a perturbação dos ciclos de vida dos peixes e a inundação de vastas áreas de terreno. A racionalização do consumo de água é de inegável importância nos dias que correm.


- Os electrodomésticos que trabalham com água (máquina de lavar roupa e loiça, etc.) devem ser utilizados apenas quando necessários e sempre na sua máxima capacidade.


- As lavagens de dentes, das mãos e o corte da barba não devem ser feitos com a água a correr. Ao fim de muitos dias, meses, anos, destas acções repetidas, as quantidades consumidas de água são astronómicas, não podendo ser desprezadas.


- Usar autoclismos reguláveis, com possibilidade de deitar pequenas descargas. Cada descarga total (descarga grande) pode gastar entre 19 a 25 litros de água, o que só será necessário em poucas situações; na restante maioria dos casos, uma descarga pequena, de cerca de 2 a 5 litros, será suficiente.


- Evitar ao máximo tomar banhos de imersão. A água consumida nestes banhos pode ascender a mais de 10 vezes a gasta num duche simples. Evitar também duches prolongados.


- Evitar lavar o carro com uma mangueira. Lavagens à mão (com balde) ou com pistola de água são igualmente eficazes e consomem bastante menos água. Evitar também as lavagens automáticas.


- Nos dias de calor, não regar o jardim durante o dia, uma vez que as temperaturas elevadas conduzem à fácil evaporação da água que consequentemente não é eficazmente aproveitada pelas plantas regadas. Regar, sempre que possível, ao nascer do dia ou ao crepúsculo. Evitar igualmente plantar espécies que consumam grandes quantidades de água, especialmente em climas mais secos.


- Evitar, no cultivo, o regadio aberto, por dispersão. Se possível, dentro das possibilidades económicas e técnicas, instalar sistemas de rega gota-a-gota, de preferência controlados automaticamente (sistemas informáticos). A rega aberta favorece a evaporação da água (desaproveitamento desta para a rega efectiva), envolvendo grandes quantidades desta. O sistema gota-a-gota fornece a água apenas no local onde é efectivamente necessária e na quantidade certa para o crescimento normal da planta, evitando o desperdício.

acções ambientais...

ELECTRICIDADE

A geração de electricidade nas sociedades modernas é das principais produtoras de gases geradores de efeito de estufa. O efeito de estufa é o principal causador do aquecimento global, que por sua vez representa o perigo número um no que diz respeito a uma possível alteração climática. A redução do consumo de electricidade é a primeira e mais importante medida a tomar. A utilização de equipamentos energeticamente eficientes e até possível geração própria de electricidade são medidas também importantes. Segue-se neste sentido uma lista de acções que ajudarão a resolver o problema da produção de electricidade.


- Reduzir o consumo em geral. Todos os produtos que compramos, seja um par de sapatos ou um automóvel, necessitam de energia eléctrica para serem fabricados. Todo o produto que não comprarmos vai deixar de ser fabricado, pelas leis simples da oferta e da procura. O bom senso e noção clara do dispêndio de energia que cada produto necessita para ser produzido podem e devem ser tidos em conta no nosso dia-a-dia comercial.


- Reduzir o consumo de equipamentos eléctricos. Além de necessitarem de energia eléctrica para serem fabricados, os equipamentos eléctricos (máquinas de lavar loiça, roupa, torradeiras, aquecedores, etc.) gastam, obviamente, energia eléctrica. Uma boa gestão das necessidades caseiras poderá tornar mais eficaz a utilização dos aparelhos existentes e evitar a aquisição de aparelhos novos.


- Muitos equipamentos eléctricos, como televisões, leitores de DVD, computadores ou aparelhagens, gastam energia mesmo quando em modo stand-by. Esta parcela dos gastos pode ascender aos 40% do que o aparelho gasta quando ligado! Acção óbvia: desligar (deixar no modo OFF) sempre os aparelhos (a menos que por interrupções muito curtas).


- Sempre que for necessário comprar um equipamento, certificar que esse produto é, face à tecnologia existente, o mais eficaz possível. A maioria destes, hoje em dia, estão catalogados como sendo de classe A a F, sendo A o mais eficaz.


- Usar sempre lâmpadas fluorescentes. Para a mesma quantidade de luz fornecida, consomem entre 5 a 10 vezes menos que as lâmpadas incandescentes (as lâmpadas de halogéneo também são incandescentes). São mais caras mas o balanço financeiro continua a ser positivo porque duram mais tempo e saem mais baratas na factura da luz. Não esquecer de desligar as lâmpadas das divisões que não estão a ser utilizadas.


- Não usar fornos eléctricos ou chapas eléctricas no fogão. São práticos e eficientes mas a energia eléctrica é uma forma de energia multi-funcional, pelo que é um desperdício transformá-la directamente em calor. Um computador não funciona a gás mas o forno funciona. Daí se conclui que mais vale gastar a electricidade no computador e o gás – cuja única finalidade é ser queimado e gerar calor – na comida.


- Evitar a compra e uso de aparelhos de ar condicionado. Além de consumirem elevadas quantidades de electricidade contêm no seu interior gases com potencial de destruição da camada de ozono (CFC’s ou HCFC’s), cuja eventual libertação no fim de vida do aparelho conduz a esse efeito. Para arrefecimento deve dar-se preferência à ventilação natural (à noite esta é particularmente eficaz) ou à aquisição de máquinas refrigeradoras evaporativas (consomem uma ínfima parcela da electricidade que um ar condicionado, para o mesmo poder de arrefecimento). Para aquecimento deverão considerar-se caldeiras ou sistemas portáteis a gás.


- Se possível, instalar um ou mais painéis solares no edifício ou moradia. A tecnologia está avançada o suficiente para tornar rentável a produção de energia através da captação dos raios do sol. Geralmente os painéis são utilizados para gerar calor para aquecer a água, evitando assim o consumo de gás e electricidade; no entanto, já existem os chamados painéis fotovoltaicos, que transformam a energia solar directamente em electricidade.


- No uso de aparelhos de refrigeração (caso sejam realmente necessários), especialmente no ar condicionado, é inconveniente ligá-lo a uma temperatura muito baixa: não faz a divisão arrefecer mais rápido e gasta muito mais energia. É aconselhável realizar limpezas regulares ao filtro (cerca de 1 vez por mês), para que a ventoinha trabalhe normalmente, sem gastar mais energia do que a necessária.


- Os frigoríficos devem ser postos a funcionar correctamente: uma temperatura de funcionamento inferior a 5 ou 6ºC é inútil e fará aumentar o consumo 7 a 8% por cada grau abaixo desse nível. As arcas congeladoras devem funcionar a cerca de –18ºC. Além disto, tomar em consideração os seguintes cuidados: não colocar alimentos quentes dentro do frigorífico (deixá-los arrefecer antes), reduzir ao mínimo o número de vezes que se abre a porta, limpar (1 vez por ano) as espirais do condensador (normalmente na face posterior), manter limpa e em bom estado a borracha da porta e descongelar (se necessário) o frigorífico regularmente.


- No uso de ferros de engomar, seleccionar devidamente a temperatura para os tecidos a engomar. Aquecimento em excesso gasta mais energia e pode estragar a roupa. Desligar o ferro algum tempo antes de acabar de passar: continua a ser difundido calor e poupa energia. Não usar o vapor do ferro de engomar (gasta mais energia); é melhor usar um simples borrifador ou passar a roupa ligeiramente húmida.


- A maior parte do consumo de energia eléctrica de uma máquina de lavar roupa (cerca de 90%) é utilizada no aquecimento da água. Sempre que possível usar programas de lavagem com água fria a morna (temperaturas entre os 30 e 50ºC). São adequados para a grande generalidade dos tecidos (mesmo encardidos) e consomem apenas uma ínfima parte da energia das lavagens a quente (60 a 90ºC).


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- Evitar a compra e utilização de máquinas de secar roupa. A maior parte dos climas terrestres permite a secagem natural da roupa, ao ar livre (ou em espaços interiores bem ventilados).

14.1.06

'idiot slow down.'

O PlanetActivo é para todos. Todos os que dão algum valor ao bem estar na vida, ao ambiente, à vida numa sociedade saudável e responsável. Não venho dar lições de moral ou apontar o dedo a este ou aquele por atitudes passadas; quero apenas poder contribuir para o desenvolvimento sustentado da espécie humana e da vida em geral à face deste frágil e belo planeta a que chamámos Terra. A ideia também não é fazer floreados ou discursos filosóficos sobre as questões ambientais, sociais ou políticas. As mudanças, as reais mudanças, começam e acabam no indivíduo, a célula elementar da sociedade, pelo que é ao nível da atitude do indivíduo e sua maneira de encarar a sua vida, as populações humanas e o planeta em geral que será necessário intervir. Estas mudanças, no entanto, só serão possíveis se houver fácil acesso à informação e interiorização da mesma, vontade de implementá-la e transmiti-la aos outros.

Não acredito que haja alguém que não se sinta incomodado, senão mesmo bastante preocupado, com a perspectiva real do clima deste planeta se alterar radicalmente e deixem de haver as condições de vida que ainda actualmente gozamos. Cenários de sobre-aquecimento, sub-aquecimento, desaparecimento sistemático e massivo de espécies animais e vegetais (das quais dependemos para sobreviver), elevação do nível das águas do mar (com milhares de centros populacionais ameaçados) e secas profundas (com consequências catastróficas na sociedade humana) são alguns dos futuros próximos que nos arriscamos a viver, caso não haja alterações no nosso presente modo de vida. A maior parte das regalias naturais a que estamos habituados – água fresca, florestas, climas amenos, ar puro, plantas, animais, etc. – poderão ficar-nos vedadas definitivamente, uma vez que uma alteração súbita do padrão climático na Terra tem caracter permanente.

Proponho portanto nos próximos posts sintetizar acções concretas, ao nível do indivíduo, aplicáveis em casa, no trabalho, em férias, em todo e qualquer momento da vida do dia-a-dia de uma pessoa inserida numa sociedade moderna. Divido as acções em grupos para organizar melhor o texto e sua compreensão.

13.1.06

welcome!

Blogs. Pretexto ou testemunho?